APNEIA DO SONO EM CRIANÇAS E ADULTOS: MUITO ALÉM DO RONCO

 

 

A SAHOS (Síndrome da Apnéia e Hipopnéia Obstrutivas do Sono) se caracteriza por pausas na respiração quando uma pessoa dorme. Estas pausas podem variar de poucos segundos até minutos, podendo ocorrer 30 ou mais vezes durante uma hora, e normalmente a volta à respiração se caracteriza por um som de engasgo. Este padrão respiratório é crônico e afeta diretamente a qualidade de vida, e com a pausa respiratória ou uma respiração mais superficial, a pessoa altera sua qualidade de sono, passando de um sono profundo para um sono leve. Como resultado desta qualidade de sono ruim, ao longo do tempo, adultos apresentam cansaço excessivo, relatos de dor de cabeça matinal, dificuldade de concentração, irritação, depressão, mudança repentina de humor, acordam várias vezes para urinar durante a noite e a sensação de boca seca pela manhã. Crianças podem apresentar hiperatividade, desempenho escolar comprometido, podendo ser diagnosticada como portadora de déficit de atenção, e comportamentos hostis. Muitas vezes a SAHOS não é diagnosticada em exames médicos rotineiros, sendo relatos de parceiros e visitas noturnas dos pais a principal fonte de relatos que levam ao seu diagnóstico. O tipo mais comum da SAHOS é a obstrutiva, causada pela diminuição da passagem de ar na região da faringe. Em adultos é mais comum em pessoas com sobrepeso, mas pode afetar qualquer tipo corporal, homens são mais afetados que mulheres, normalmente há um aumento da incidência a medida que envelhecemos e história familiar de apneia do sono também aumenta o risco. Em crianças é comum que esteja associada à presença de hipertrofia de amígdalas e/ou adenoides. Somente o ronco não significa necessariamente a presença de SAHOS, segundo a maioria dos trabalhos na área  8 a 27% das crianças roncam durante o sono, e somente 2% delas são afetada. A SAHOS na infância ocorre desde o período neonatal até a adolescência; contudo, ela é mais comum em crianças em idade pré-escolar, sobretudo dos 2 aos 6 anos de idade, e não há predominância entre os sexos. Esta incidência vem aumentando nos últimos anos, possivelmente devido a dois fatores: o diagnóstico mais preciso e precoce e a diminuição do número de adenotonsilectomias. A outra forma de SAHOS, muito menos frequente, se deriva de apneia de origem central, causada por condições médicas ou medicamentos. Nestes casos o tratamento é totalmente diferente do recomendado para a forma obstrutiva. O risco da SAHOS para a saúde do individuo envolve aumento de risco de pressão alta, ataque cardíaco, acidente vásculo-cerebral (derrame), obesidade e arritmias cardíacas. Existe também o risco de acidentes domésticos, no trabalho e até quando na direção de um carro. O tratamento da SAHOS envolve em primeiro lugar, um diagnóstico acurado por meio de um especialista da área médica, normalmente com um exame chamado polissonografia, em que a pessoa dorme enquanto seus sinais vitais são monitorados durante todo o tempo. A partir do momento que a condição é diagnosticada, o tratamento envolve alteração no estilo de vida, com o abandono de hábitos como o tabagismo,  diminuição da ingestão de alimentos e bebidas alcoólicas, resultando em perda de peso e melhora da saúde geral; uso de CPAP, que são aparelhos que mantém uma pressão de oxigênio positiva mantendo as vias aéreas abertas;  uso de aparelhos intraorais para projetar a mandíbula e a língua para frente; exercícios fisioterápicos para melhorar o desempenho da musculatura da região; e métodos cirúrgicos na região na farínge ou nos tecidos ósseos para avanço da maxila e da mandíbula para frente.